Autismo

0

O autismo é um transtorno do desenvolvimento que geralmente está associado a outras deficiências e é facilmente confundido com deficiência mental. As causas ainda não foram descobertas, mas, ao contrário do que se imagina, é possível evitá-lo. A palavra “autismo”, atualmente pode ser associada a diversas síndromes, o que aumenta a possibilidade do autista ser considerado portador de deficiência mental. É, na verdade, um transtorno do desenvolvimento e quem o possui, apresenta em muitos quadros, quociente de inteligência (QI) abaixo da média. É um transtorno que não escolhe classes sociais e econômicas, ocorrendo no mundo inteiro. Embora haja grupos de estudos e pesquisas no mundo inteiro, ainda não foi detectada a causa do autismo. Em cooperação internacional, os especialistas concordaram em usar alguns critérios de comportamento para diagnosticar o autismo. Os sintomas variam amplamente e manifestam-se de diversas formas, variando do mais leve ao mais alto comprometimento.

Atualmente há duas publicações que descrevem os sintomas que levam ao diagnóstico da pessoa autista. Uma é o Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais (DSM-IV), da Associação Psiquiátrica Americana ; e a outra é a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), publicada pela Organização Mundial de SaúdeCaracterizado por alterações no desenvolvimento infantil que manifesta-se nos primeiros meses de vida, o autismo é um distúrbio congênito caracterizando-se por um retrocesso das relações interpessoais e diversas alterações de linguagem e dos movimentos. Sintomas estes são reconhecidos principalmente entre os 6 e os 36 meses de idade. As causas podem estar associadas a fatores genéticos e problemas pré e pós-parto.

As crianças autistas possuem, geralmente, aspectos saudáveis e são bonitas (uma das características mais marcantes).
A perda do contato emocional e interpessoal é o processo básico deste sintoma. Problemas de sociabilidade, isolamento intenso e agressividade. Observa-se que as crianças não respondem as carícias, palavras e nem às atenções dos adultos. Em contraste com a apatia frente às pessoas, a criança parece fascinada por objetos giratórios. Preocupa-se com que o ambiente fique conservado de forma inalterada. Passa muito tempo jogando com objetos repetitivamente. É indiferente às palavras e a qualquer som emitido por outras pessoas. Porém pode dar atenção ao ruído de uma porta ou ao barulho de um avião. Possuem hipersensibilidade ao toque e aos sons.

Mais comum no sexo masculino, a ocorrência do autismo é de uma em cada 2.500 crianças. Os graus variam do autismo clássico, mais grave, à síndrome de Asperger, bem mais leve. Abrange de uma criança muda, retardada e agressiva a “gênios”, como Mozart, que teria todas as características de Asperger. A cura ainda não há. Retardo mental ocorre em 80% dos casos. Cerca de 15% das crianças autistas quando estimuladas adequadamente, conseguem uma recuperação social, na idade adulta, que os permite viver com certa independência assistida e até trabalhar. Uns 25% dos autistas alcançam um desenvolvimento parcial menos significativo, impondo que vivam bem na casa de seus familiares, com sinais evidentes de autismo, sem capacidade de trabalhar e viver independentemente. Aproximadamente 60% das crianças autistas, por vários fatores, não conseguem obter um desenvolvimento satisfatório.

Nas anomalias de linguagem existem: repetição em eco das palavras que lhe são dirigidas; repetição de uma palavra ou de um grupo de palavras, sem significação afetiva; o uso da palavra “sim” representa uma dificuldade freqüente, como se indicasse um envolvimento com outras pessoas; apresentam problemas na aprendizagem dos pronomes “eu”, “tu” e “nós”, utilizando-os de maneira desorganizada; dificuldade de comunicação, mutismo, inversão pronominal (troca o “eu” por “você”), incompreensão da linguagem figurativa. Já nas anomalias motoras podem permanecer imóveis durante um tempo prolongado; movimentos com as mãos e braços no vazio, sem qualquer significado; distúrbios de comportamento, atos rituais, estereotipados, repetição de um mesmo movimento, com o tronco para frente e para traz; caminhar rígido ou em círculos, com os braços apertados sobre o corpo; obsessão por uma atividade, desenham ou jogam xadrez por horas a fio compenetrados.

Eventualmente casos de crianças autistas serem diagnosticadas como surdas-mudas, devido ao fato de não comunicarem-se verbalmente e levando a crer que nem conseguem ouvir. Há provas demonstrando que o autista possui a sua capacidade auditiva intacta. Os surdos-mudos, por outro lado, buscam um relacionamento com outras pessoas expressando-se mediante gestos, indicando necessidades e desejos. Usa sons vocálicos desarticulados com finalidade comunicativa. Nos casos de síndromes de traumas cranianos não verificam-se as alterações de linguagem e de movimento que ocorrem nos autistas e nem de bloqueio da afetividade. Nas crianças com trauma craniano podem ocorrer paralisias, movimentos desarticulados, atrofias musculares, deformações no crânio, incapacidade de concentração por muito tempo que são sintomas ausentes nos autistas. Os portadores de afasia procuram relacionar-se com outras pessoas, apesar de não possuírem capacidade para expressarem-se através da linguagem. Nos casos de síndrome pós-encefálicas, são observados sintomas freqüentes de desordens do comportamento social, irresponsabilidade, reações emocionais impulsivas e ocasionalmente sinais neurológicos.

O tratamento convencional de crianças autistas consiste em psicoterapia individual ou de grupo, como Ludoterapia ou Musicoterapia.  O autista pode ser tratada e desenvolver suas habilidades de uma forma mais intensiva do que outra pessoa que não apresente o mesmo quadro e, então, assemelhar-se muito a essa pessoa em alguns aspectos de seu comportamento. Porém, sempre existirá dificuldade nas áreas atingidas pelo autismo, como comunicação e interação social, podendo desenvolver comunicação verbal, integração social, alfabetização e outras habilidades, dependendo de seu grau de comprometimento e da intensidade e adequação do tratamento que, em geral, é realizado por equipe multidisciplinar nas áreas de Fonoaudiologia, Psicologia, Educação Física, Musicoterapia, Psicopedagogia, Neuropsicologia dentre outras mais.

Autor: Jecely Teixeira – CRP 06/115303

COMPARTILHAR
Artigo anteriorAmnésia Dissociativa
Próximo artigoAutoestima

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui