Autoestima

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Cada vez mais surgem novos estudos sobre à autoestima, e a psicologia vem enfatizando este assunto pesquisando cada vez mais os sentimentos do ser humano sobre seu valor pessoal. Uma auto-estima elevada é positiva. Pessoas que se sentem feliz em relação a si mesmas, têm boa noite de sono, sucumbem com menos facilidade às pressões para se conformarem, têm menor probabilidade de manipulação de drogas são mais persistentes em tarefas difíceis.

A autoestima não é somente o valor que a pessoa se dá. O ser humano vive em relação e nessa rede social precisamos também da confirmação de outro olhar mesmo sabendo o nosso valor ele só é aceito quando outras pessoas também confirmem o tal valor. Se um bom administrador, por exemplo, sabe que é competente, pontual, articulador e faz seu trabalho como poucos, ele provavelmente terá uma autoestima elevada, mas, se outras pessoas não valorizarem seu trabalho ele se sentirá frustrado e tendo uma idéia errônea de quem é realmente. Este texto me remete a falar sobre o tema delicado, pois implica o reconhecimento de que somos parte do processo de construção da auto-estima e  que portando podemos mudar o curso dos acontecimentos. Esta pode ser uma “leitura arriscada”, pois nos leva a repensar a nossa compreensão do social assim como  indagar sobre nossas potencialidades e ou limites de promover mudanças na estrutura social.

A conquista da autoestima é uma luta que passa pela socialização (indivíduo-grupo e grupo-grupo) contra a dominação. É uma luta para o respeito das diferenças dos sujeitos, sem esquecer que o próprio sujeito independentemente das regras que regem as relações pode também tornar-se um tirano para si próprio.

A pessoa internaliza uma imagem de si que corresponde ao que os outros “precisam” ver para exercer relações de dominação. O sujeito interioriza as imagens que os outros projetam sobre ele. Desde a infância somos preparados pelos pais e influenciados também pelo social para construirmos bem ou mal nossa estima. Uma criança que cresce ouvindo dos pais que é muito inteligente, que é esforçada e sempre vai conseguir alcançar seus objetivos, ela estará fortalecendo e construindo sua estima positivamente. Outro exemplo seria ao contrário, se uma criança crescesse sempre ouvindo que ela não será bem-sucedida no futuro, que não é inteligente, que é uma fracassada ou mesmo que os pais sejam mal-sucedidos, que não lutem por uma vida melhor, que tenham a estima baixa então a criança não terá tanto reforço positivo em casa para poder se sentir estimulada a gostar de si e de saber seu valor real. Se eu não gosto de mim mesmo, como espero que as pessoas gostem? Se eu não me orgulho do que eu faço, como espero que alguém se orgulhe? Se não admiro os meus próprios empreendimentos, quem irá admirar? Se eu não acredito em mim mesmo e nas minhas capacidades, quem irá acreditar? A auto-estima não é só uma questão de bem-estar consigo, mas também com o social.
Em que consiste essa forma de reconhecimento? Precisa-se que os outros, os seus colegas e companheiros valorizem suas capacidades de realizar as tarefas do ofício, mas também de realizá-las com certa maestria. E essa valorização é repatriada na identidade social. E é esse direito ao respeito que confirma seu direito de estar nesse lugar que ocupa, depende do reconhecimento do seu valor que permite o acesso à auto-estima. Ao respeito que o outro nos manifesta, corresponde uma parte da nossa estima. Mas esse “saber fazer” para poder exercer depende de você ter acesso à criatividade. Ora, esse atributo não se autoriza em condições de desconfiança, por exemplo, ou de competitividade reforçada para se obter produtividade.

A autoestima pode ser o equivalente a uma identidade social positiva dependente das boas relações de trabalho. Essas dependem, por sua vez, das lutas coletivas que permitem criar identificações positivas. Para retomar a idéia de SIGAUT (citado por DEJOURS; 1999), os sujeitos têm que ter uma compreensão do real (as suas sociedades, as suas empresas ou os seus grupos) a partir da qual é possível interpretar o real como eles o fazem. Se o sujeito é o único a interpretar o real desta forma, ele acaba questionando as suas capacidades de lucidez, se isola ou se acha incompreendido, quando, de fato, os estudos mostram que, em grande parte, são as condições de trabalho que impedem a comunicação entre colegas. E são essas integrações entre colegas que, através da criatividade, permitem também agir e transformar o que é sofrido. Não é, necessariamente, eliminar o sofrimento e as tensões, mas dar um tratamento possível e aceitável a partir do que somos.

Referências:

DEJOURS: La banalisation de l´injustice sociale Ed. Seuil Paris1998
Conferências Brasileiras, identidade, reconhecimento e transgressão no trabalho GV edições fundap: São Paulo, 1999.
NUNES, Christiane G. F. Trabalhando a auto-estima. Abril, 2006.

Autor: Jecely Teixeira – CRP 06/115303

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