Consumo de álcool por idosos cresce no país

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Quando o assunto é o uso de drogas ou substâncias que geram vícios por idosos, pouco se é falado. Porém há uma estatística crescente no mundo de que pessoas com ais de 60 anos estão ingerindo cada dia mais bebidas alcoólicas e outras drogas.

De acordo com o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), organização não governamental que se destaca como uma das principais fontes no Brasil sobre o tema, a prevalência crescente de problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas entre idosos é preocupante.

O assunto chama a atenção de profissionais da área da saúde devido ao aumento observado no número de admissões em unidades de pronto-atendimento e busca por tratamento associados a uso dessas substâncias. No entanto, faltam estudos científicos que avaliem esta questão de forma abrangente.

Em Itatiba, dos 1834 pacientes inseridos no Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps-AD), 70% são homens, sendo que 6,92% têm idade igual ou superior a 60 anos.

Desde 2011, passaram pelo Caps-AD 127 pacientes com mais de 60 anos. Segundo o coordenador do Caps-AD, dr. Remus Marin Stancu, o vício mais recorrente entre estes atendidos é o álcool, podendo apresentar, conjuntamente, problemas com outras substâncias.

PESQUISAS E ANÁLISES

No Brasil, os dados de uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP são preocupantes. Cerca de 12% dos entrevistados com mais de 60 anos foram classificados como bebedores pesados (consumo de mais de 7 doses por semana),10,4% como bebedores pesados episódicos (considerado por este estudo como o consumo de mais de 3 doses em uma única ocasião) e quase 3% foram diagnosticados como dependentes.

Verificou-se, também, que o padrão “beber pesado episódico (BPE) e os transtornos relacionados ao álcool (abuso e dependência)” em idosos estão mais associados ao sexo masculino e economicamente desfavorecidos.

Em paralelo, as idosas representam um subgrupo que merece atenção específica, já que para elas a progressão do uso à dependência tende a ocorrer mais rapidamente e as consequências adversas iniciam-se mais precocemente.

Além disso, as idosas estão especialmente mais propensas que os homens a utilizar medicamentos de prescrição como tranquilizantes, analgésicos, sedativos, estimulantes e antidepressivos.

Entre as principais causas, os chamados estressores psicossociais desencadeadoras do abuso de drogas, são a aposentadoria, a solidão, a viuvez, o isolamento social e alguma doença crônica. A aposentadoria normalmente leva a uma queda grande do nível de vida, e isso acaba gerando muita perturbação emocional. O uso por automedicação prolongada de tarjas pretas também facilita o abuso de drogas ilícitas.

VULNERABILIDADE EMOCIONAL

O tratamento para dependentes químicos segue o mesmo padrão, acrescido do cuidado aumentado junto ao idoso pela sua maior vulnerabilidade emocional, bem como medicações, pois normalmente existem doenças crônicas associadas.

Muitos procuram tratamento por causa de outras doenças que se agravam com o abuso das drogas. O resultado do tratamento entre idosos é mais delicado, pois eles são muito mais doentes e vulneráveis que os jovens, e o que é pior: muitos são abandonados pela família, pelo estado e pela sociedade.

Em Itatiba, os familiares são convidados a frequentar o Grupo de Família para a orientação e acompanhamento adequados. Além destas opções, alguns casos são acompanhados através da modalidade intensiva e semi-intensiva.

Fonte: http://www.cisa.org.br/artigo/7205/consumo-alcool-por-idosos-cresce-no.php

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