Enxaqueca

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Há muita gente por aí que generaliza dizendo que a enxaqueca é emocional, não tem cura ou tratamento, seria uma forma do paciente chamar atenção e assim por diante. Não é bem assim, a maioria dos neurologistas possui conhecimento adequado para cuidar dos pacientes que têm enxaqueca, e vários clínicos gerais também, pois, os serviços e departamentos de neurologia frequentemente possuem setores especializados em cefaléia. Atualmente há várias estratégias bastante adequadas de tratamento, sejam medicamentosas na crise ou na prevenção das mesmas, ou medidas de relaxamento, como um treinamento objetivando um progressivo aumento da capacidade de auto-regulação voluntária de uma série de funções orgânicas até então completamente fora do nosso controle consciente e orientações quanto ao modo de vida do paciente, que certamente o beneficiarão bastante. Na realidade a enxaqueca resulta da pressão exercida por vasos sanguíneos dilatados no tecido nervoso cerebral subjacente e seu tratamento envolve normalmente drogas vaso-constritoras para aliviar esta pressão e muitas podem ser eliminadas quando as suas causas são corrigidas.

A neurociência diz que ela é causada por uma inflamação do nervo trigêmeo, que enerva a face e o couro cabeludo. Chegando aos ramos nervosos irritando os vasos que se dilatam. Ela também tem relação com a serotonina, por isso a enxaqueca e a depressão andam sempre juntas. Alguns fatores genéticos que podem predispor um indivíduo à enxaqueca, porém este fator genético só se manifesta mediante estímulos do meio ambiente, ou seja, os hábitos e estilo de vida da pessoa. A enxaqueca provoca também o AVC (Acidente Vascular Cerebral) caracterizando-se por uma irreversibilidade da aura (a qual normalmente teria uma duração de apenas 15 a 60 minutos). Os exames, nesses casos, demonstram uma área qual ocorreu um infarto na região do cérebro correspondente ao déficit permanente. Daí o termo que chamamos de infarto enxaquecoso, para se referir a esse tipo de AVC. Ela exterioriza-se por manifestações neurológicas reversíveis que sinalizam comprometimento do córtex cerebral ou do tronco encefálico. O auge desse tipo de enxaqueca é mais curto de 4 a 6 horas, podendo chegar a 72 horas. Alguns pacientes podem apresentar as duas formas clínicas, sendo que a com aura seria um fenômeno neurológico específico, como a ocorrência de escotomas, alterações visuais, que em geral precedem em minutos o aparecimento da dor, porém, nem sempre esse tipo de alteração ocorre, então vem a  chamada enxaqueca sem aura, que é a  mais comum, tendo alterações por distúrbios elétricos negativos ao nível do córtex cerebral, em especial na região occiptal, responsável pela visão.

A estratégia é tratar o paciente de modo intermitente, com períodos de “melhoria” de 6 a 12 meses ou mais, basicamente destina-se a recompor tais alterações de neurotransmissão: dessa forma, podem ser usados medicamentos preventivamente, ou seja, todo dia, haja ou não crise de dor, como beta-bloqueadores, anti-histamínicos, determinados anticonvulsivantes, bloqueadores de canais de cálcio, etc. Podem ser usados analgésicos nos momentos de crise, mas a forma mais precisa tratar envolve o uso de substâncias que agem diretamente no receptor de serotonina, em geral pertencentes à categoria dos triptanos.

Pelo viés da psicologia a enxaqueca é um problema que pode ter tido origem num conjunto de relações familiares deficitárias e afetar todos os outros membros, tipo uma somatização. Fatores ambientais podem atuar como desencadeantes da crise, eles são diversificados e entre os principais podem ser mencionados: distúrbios emocionais (ansiedade, depressão, irritabilidade), distúrbio do sono (excesso ou privação). Este artigo é uma suma básica sobre enxaqueca. O assunto é extenso, mas, como sempre não dá para tanto aqui. Dúvidas, sugestões e críticas, eu peço que entrem em contato por gentileza. Boa semana para todos vocês.

Autor: Jecely Teixeira – CRP 06/115303 – Psicóloga com especialização em neuropsicologia

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