Nova lei descriminaliza o usuário de drogas

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O preconceito da sociedade é um dos principais obstáculos na recuperação de dependentes

A aprovação da lei 11.343 no último dia 24 de agosto tem provocado diScussão entre juristas, sociedade e especialistas. Polêmica, a lei descriminaliza o usuário de drogas, prevendo penas mais leves e alternativas. Para alguns, a medida pode incentivar e aumentar o uso indiscriminado. Já quem trabalha com a recuperação de dependentes químicos tem uma outra opinião: demos um passo à frente, foi um avanço para um tratamento mais humano e menos preconceituoso e marginalizante.

Ter um membro da família envolvido com drogas pode ser um problema sério não só para o usuário, mas para todos de seu convívio. Parentes se comovem, revoltam e precisam arrumar forças para ajudar o dependente a superar seu vício. Como facilitar a busca de ajuda e tratamento? Como manter o dependente químico no tratamento? Como estabelecer condições para evitar uma recaída? São questões complexas cujas respostas agora podem ser facilitadas. Cabe agora à sociedade uma reflexão menos moralista e mais analítica sobre o uso de drogas. A lei porsi só não muda a cultura da sociedade.

A marginalização do usuário ou dependente é um fator que dificulta – e muito – na aceitação do problema e funciona como uma barreira na procura de ajuda para superar a dependência.

O tratamento do dependente químico é um desafio complexo que vai desde a negação do problema, a dificuldade de buscar ajuda, o alto índice de abandono do tratamento e o seguimento das orientações. Essa descriminalização permitirá um diálogo mais aberto entre clínicos, pacientes, família e sociedade e assim diminuirá o impacto emocional que a dependência causa em todos esses nichos.

A Família

É comum observar-se durante o processo evolutivo da dependência química o stress que toma conta dos membros da família, suas mudanças, e como, com o tempo, desenvolvem uma adaptação às situações de tensão às quais são “submetidos”. Algumas famílias estruturam suas relações em torno da droga, alterando na rotina, nas festas, férias, reuniões familiares e até nas questões básicas referentes ao sono e alimentação. A auto-estima da família é afetada, aumentando a ansiedade, as dificuldades de produção e do relacionamento social que podem causar um isolamento social progressivo da família. Além das mudanças de comportamento, como usar drogas era crime é comum a sensação de rejeição pessoal, vergonha e humilhação perante a sociedade. Sentem-se isolados, alienados e diferentes, com um grande sentimento de desesperança. Com o tempo os membros da família do dependente químico percebe m que não estão resolvendo a situação, o caos est á se concretizando e seu limite já passou faz tempo. Temendo por sua sanidade e com sentimento de desesperança percebem que algo deve ser feito.

Em virtude dessa realidade é que profissionais especializados desenvolveram um programa de atendimento e orientação para familiares de alcoolistas e drogadictos. Ao procurarem orientação, os familiares encontram um espaço de reflexão sobre certos padrões repetitivos que desenvolveram ao se adaptarem à problemática da dependência e que resultaram numa dinâmica familiar patológica. Diversos tópicos como estabelecimento de limites, regras de conduta e valores das famílias são trabalhados com um objetivo primordial: o desenvolvimento de um ambiente familiar onde não há espaço para a doença e na qual o dependente se sinta compelido a procurar ajuda. O envolvimento de todos os membros do sistema familiar no tratamento é fundamental para que ocorram modificações estruturais que tenham resultados positivos na recuperação do drogadicto. É inquestionável a influência e o poder do sistema familiar no seu processo de recuperação.

Autor: Dorit Wallach Verea

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