Rede social

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A presença de uma doença, especialmente quando se trata de uma doença crônica, produz um impacto nas interações entre o indivíduo e sua rede social mais ampla, por meio de diferentes processos inter-relacionados.
As doenças em geral possuem um efeito interpessoal aversivo. Talvez esteja gravada no nosso código genético advindo da seleção natural.
A rede social, assim como uma teia de aranha, é um sistema descentralizado que pode ser
identificado e analisado a partir de um indivíduo (pessoal) ou de um serviço (institucional).
A rede social pessoal pode ser definida como a soma de todas as relações que um indivíduo
percebe como significativas ou diferenciadas da massa anônima da sociedade.
Critérios de inclusão de uma rede. Exemplo: Quando se avalia um dependente químico em
processo de reinserção social, incluímos o jornaleiro da esquina? Com quem conversou na
última semana? Quem poderia ser um ombro para desabafar? Com quem encontra
regularmente?
A rede social institucional tem como seu maior desafio a inclusão de todos os envolvidos na
discussão da função e do lugar do fenômeno do uso de drogas nas organizações sociais
ocidentais modernas.
O processo de construção da rede social deve caracterizar-se pela:
  • Troca sistemática de informações e resultados (por meio de discussão de casos, seminários e pesquisas);
  • Apoio mútuo e parcerias (rede informal);
  • Desenvolvimento de estratégias e métodos (rede formal)
A rede social pode ser avaliada em termos estruturais e funções.
Estruturais:
  • Tamanho – nº de pessoas ou instituições;
  • Densidade – amigo do amigo ou relação entre as instituições;
  • Distribuição – nº de pessoas ou instituições mais próximas até as mais afastadas;
  • Dispersão – distância geográfica;
  • Homogeneidade – demográfica, sexo, idade ou sócio-cultural;
Funções:
  • Companhia social – (colegas);
  • Apoio emocional – (amigos íntimos, grupos de mutua ajuda);
  • Guia cognitivo e conselhos – proporcionam modelos de papéis (ex. conselheiro);
  • Regulação social – reafirma responsabilidades e papéis e neutralizam desvios de comportamento (Igreja);
  • Ajuda matéria e de serviços – serviços de saúde;
  • Acesso a novos contatos – é um atributo de qualquer relação e da prevenção
A questão do individualismo e da competitividade na nossa sociedade torna relevante a
exploração da rede social como determinante de saúde e doença.
O trabalho institucional é enriquecido dramaticamente com a inclusão da óptica de rede que realça uma ética de nossa responsabilidade social e nos conscientiza da impotência do
trabalho isolado. Fala-se com freqüência do perigo do isolamento do dependente, mas muitas instituições trabalham completamente isoladas.
Existe uma correlação direta entre qualidade da rede social e qualidade de saúde. A rede social protege a pessoa contra doenças. Por outro lado, a doença deteriora a qualidade de sua interação social e, a longo prazo, prejudica seu acesso a sua rede social.
Existe uma correlação entre o nº de internações de um dependente químico e a qualidade de sua rede. Grupos de apoio-mútuo assumem o papel do apoio emocional. A participação da família no tratamento é mais um exemplo.
A rede fornece:
  • Identidade – reflexos de minha imagem: “Oi, Joana”;
  • História – traz diferentes versões da minha lembrança “Lembra quando você…”;
  • Nutrição Emocional – fonte de afeto e interesse pessoal “Que prazer em te ver…”;
  • Gerador de feedback social – análise e crítica do outro “Você está rouco de novo?” ou “Você foi muito agressivo com ela”;
  • Depositário do outro – ser referência e depositário para o outro.
O vazio de identidade, de história, de continuidade, de nutrição emocional, de feedback social, de cuidados de saúde, de validação, de responsabilidade pelo outro produzido pela perda de um vínculo (objeto, amigo, parente, divórcio, parte do corpo ou sonho ou migração) é uma experiência universal. E a recuperação desse vazio ocorre na experiência.
A formação de uma associação de rede social democrática é fundamental.
Autor: Dorit Wallach Verea

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