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A VIDA NÃO É UMA ACADEMIA
“Mente sã em corpo são” é uma frase
sábia e famosa. Porém, é notória a depressão
oriunda do “excesso de vida mental” dos sedentários
intelectuais, mas, se ignora totalmente o desequilíbrio oposto;
a depressão advinda do “excesso de vida corpórea”.
Cada vez mais as pessoas colocam seu corpo no centro de suas vidas:
horas de ginástica, competições, dietas contínuas,
tratamentos estéticos e excesso de atividades saudáveis
ligadas ao corpo físico.
Tempo, energia e criatividade são investidas e direcionadas
ao corpo e, no entanto, o aspecto mental e psicológico da
vida é ignorado.
Esse desequilíbrio no passado era inócuo, mas na complexidade
da vida moderna não conhecer a si próprio é
muito perigoso.
A capacidade emocional e as funções psíquicas
necessárias para elaborações não se
desenvolvem sozinhas, são cultivadas. Frente a um evento
negativo (por ex. separação, conflitos, desilusões)
estas pessoas entram muito mais facilmente em crises depressivas
justamente pela falta de “instrumentação psicológica”.
Outras vezes, também, é a própria mente que,
na falta de eventos negativos, pede atenção produzindo
a crise que rompe o fanatismo corpóreo e oferece assim a
oportunidade de um re-equilíbrio.
São depressões complexas que exige identificar as
necessidades e conflitos específicos daquele indivíduo
naquele momento.
Para despertar a auto-percepção basta tomar algumas
atitudes aparentemente simples como, por exemplo:
· Dedicar um tempo para leitura do tipo introspectiva, músicas
meditativas, CD de relaxamento, filmes existencialistas (não
de ação ou terror);
· Encontrar momentos, mesmo breves, para ficar só
sem fazer nada.
Para quem não pára, parece difícil, mas não
se cresce nem se sai de uma crise de uma hora para outra, com qualquer
pílula mágica ou com métodos instantâneos.
Ao anestesiar o sofrimento e adiar os conflitos, potencializando
desesperadamente as atividades físicas haverá uma
maior probabilidade de desembocar numa queda pior que a própria
dor submersa.
Relembramos então uma frase de Buda: “O melhor caminho
é sempre o do meio”.
Dorit Wallach Verea
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