SAÚDE EMOCIONAL: É HORA DE LIGAR
O ALERTA!
* Karlo Gabriel
Com a competitividade cada vez maior no mundo corporativo, os profissionais
dependem de seu comportamento para alcançar um diferencial
no mercado de trabalho. As empresas que percebem isso e investem
numa cultura de saúde emocional para ter mais uma ferramenta
para competir com a concorrência.
Segundo uma pesquisa realizada nos Estados Unidos pela Health Promotion
and Substance Abuse Prevention, 64% das empresas possuem "funcionários
com problemas", sendo que:
- 87% das empresas tem pelo menos um funcionário fumante
- 90% dos empresários acreditam que o estresse afeta a produtividade
- 70% relatam que os colaboradores trazem problemas pessoais para
o trabalho
- 50% relatam que a incapacidade de resolver problemas pessoais
pode comprometer a produtividade ou aumentar o risco de acidentes
no trabalho
Conversamos com a Doutora Dorit Wallach Verea, mestre em Psicologia
Clínica e coordenadora da Clínica Prisma, sobre como
as empresas podem detectar e lidar com esses sintomas e, assim,
implementar um programa de qualidade de vida para que seus funcionários
sempre estejam tranqüilos para render melhor:
Estilo & Gestão RH Catho: Como podemos identificar
quando um profissional sofre algum tipo de transtorno?
Dorit Wallach Verea: Quando um colaborador apresenta mudanças
de comportamento disfuncionais por mais de duas semanas é
um indício de que há algum conflito o perturbando.
Estilo & Gestão RH Catho: Quais são os principais
transtornos que afetam os profissionais?
DWV: Segundo dados do Ministério da Saúde, a depressão
corporativa já atinge 17% dos trabalhadores no auge da vida
profissional, na faixa dos 25 aos 40 anos de idade. Outros transtornos
importantes são a depressão, a ansiedade, a Síndrome
do Pânico, o estresse e a dependência química.
Estudos sobre a Síndrome do Pânico em executivos mostram
que a depressão e o estresse são os grandes vilões
do primeiro ataque. Os resultados mostraram que o risco de um ataque
de pânico é cinco vezes maior nos executivos com antecedentes
de depressão e três vezes maior naqueles que passaram
por uma situação estressante recente.
Estilo & Gestão RH Catho: Dos transtornos citados,
qual é o mais prejudicial para o profissional?
DWV: Todos os transtornos são prejudiciais, porém
de diferentes formas. É perigoso supervalorizar um transtorno
em detrimento do outro. Em todos há muito sofrimento e prejuízo
pessoal, profissional e social.
Estilo & Gestão RH Catho: E qual deles prejudica
mais a empresa na hora de lidar com o profissional?
DWV: O absenteísmo, licenças médicas, atrasos,
queda na produtividade e acidentes de trabalho são conseqüências
comuns a todos os tipos de transtorno. Vale a pena ficar atento.
Estilo & Gestão RH Catho: O que a empresa pode fazer
para manter sempre um diagnóstico sobre seus funcionários?
DWV: A empresa deve ter um programa atualizado e integrado. O treinamento
da equipe de Saúde da empresa é essencial, tanto no
desenvolvimento de políticas de ação adequadas
para a empresa quanto na sua prática diária. A capacitação
dos gerentes, supervisores e líderes em geral é a
peça-chave para o programa, pois são eles que ficam
durante oito horas por dia com os colaboradores. Assim, os gestores
precisam estar habilitados a identificar, abordar e encaminhar os
casos suspeitos de transtornos mentais.
Estilo & Gestão RH Catho: Se um profissional identificar
que possui algum destes transtornos, quem ele pode procurar para
auxiliá-lo? A empresa pode contribuir de alguma maneira?
DWV: A identificação pode ser feita por alguém
responsável pelo Serviço Social, pelo Ambulatório
Médico ou pela área de Recursos Humanos da empresa.
Quando uma empresa possui um programa de Saúde Mental inserido
no Programa de Qualidade de Vida, esta dificuldade é abrandada.
Há várias abordagens que podem se mostrar úteis
no tratamento do transtorno mental. O tratamento medicamentoso,
a Psicoeducação e a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental
apresentam as evidências mais consistentes e são as
técnicas mais amplamente estudadas, assim como as intervenções
envolvendo familiares.
Estilo & Gestão RH Catho: Na sua opinião,
quais são os motivos para esse aumento de profissionais com
transtornos mentais?
DWV: A sensibilidade pessoal diante da vida é que produz
um efeito atenuante ou agravante aos eventos, efeito este que depende
mais da própria personalidade do que das circunstâncias.
Isso definirá o modo de ser, de reagir, de enfrentar e de
se adaptar ao estresse. O limiar de frustração das
pessoas já está quase no limite, o que as faz perder
o controle de suas emoções com acontecimentos pequenos
que, muitas vezes, acabam atuando apenas como a ponta de um iceberg.
Isso tem ocorrido em vários ambientes e setores, deixando
de ser um acontecimento específico para se tornar um fator
preocupante.
Estilo & Gestão RH Catho: Quais são as profissões
que apresentam maior tendência ao surgimento de transtornos?
DWV: Há dois extremos de atividades que podem desencadear
transtornos emocionais: de um lado temos os profissionais que não
têm autonomia, estímulo, liberdade de criar, desafio,
treinamento e perspectiva. Do outro lado está o profissional
com muitas responsabilidades, urgência de tempo, excesso de
trabalho e falta de colegas capacitados para repartir decisões
importantes.
Estilo & Gestão RH Catho: O que podemos esperar daqui
a uns dez anos se as condições de trabalho e competitividade
se mantiverem iguais ou mais acirradas do que hoje em dia?
DWV: Em vista do aumento da competitividade, a violência urbana
e outros fatores desencadeantes de estresse, inúmeras pesquisas
e debates vêem sendo realizados sobre a melhor forma de proporcionar
ao colaborador um ambiente de trabalho agradável e satisfatório
para a plena realização de suas tarefas diárias
e, conseqüentemente, a transformação deste investimento
em capital à empresa.
Estilo & Gestão RH Catho: O que você recomenda
para empresas e profissionais terem uma boa qualidade de vida e
um bom relacionamento, rendendo o esperado?
DWV: É preciso entender que o controle das emoções
deve ser aplicado apenas por quem trabalha com gestão de
pessoas ou simplesmente pela falta de consciência da grande
relevância.
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