Longas jornadas de trabalho estão relacionadas a maior consumo de álcool

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Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA)

O ambiente de trabalho é um local importante para prevenção do uso de álcool tendo em vista que mais da metade da população adulta é de trabalhadores

O ambiente de trabalho é um local importante para prevenção do uso de álcool tendo em vista que mais da metade da população adulta é de trabalhadores. Intervenções que visam conscientizar sobre o consumo de álcool são importantes nesse âmbito para prevenir os potenciais prejuízos como absenteísmo, baixo rendimento e acidentes de trabalho.

O chamado “consumo de risco” (definido em alguns estudos como mais de 14 doses* de álcool por semana para mulheres ou mais de 21 doses por semana para homens) aumenta a chance de consequências negativas para o indivíduo e para sociedade – desde doenças do fígado, desenvolvimento de alguns tipos de câncer, doença isquêmica do coração, infarto, transtornos mentais e lesões físicas até consequências sociais decorrentes de problemas familiares, violência, acidentes viários, custos do serviço de saúde, diminuição de produtividade e até exclusão do mercado de trabalho.

Devido à relevância desse tema, pesquisadores elaboraram uma revisão sistemática e metanálise incluindo 61 estudos sobre uso de álcool e jornada de trabalho, realizados entre os anos de 1970 e 2013. O objetivo foi avaliar a associação entre a duração da jornada de trabalho e a intensidade e padrão de consumo do álcool. Os estudos levantados, em conjunto, reuniram informações provenientes de quase 195 mil indivíduos oriundos de 14 países (Alemanha, Finlândia, Bélgica, Japão, EUA, Canada, Austrália, Reino Unido, Nova Zelândia, Dinamarca, Taiwan, França, Espanha e Suécia). Os trabalhadores avaliados eram operários de indústria, funcionários de empresas, funcionários públicos, enfermeiros, trabalhadores de transportes, engenheiros de tecnologia da informação, policiais, gerentes e profissionais com ensino superior.

O principal resultado encontrado foi uma relação direta entre longas jornadas de trabalho e maior consumo de álcool, sem relação com o sexo, idade, condição socioeconômica ou região geográfica. Ressalta-se que indivíduos que trabalhavam mais de 48 horas na semana apresentaram risco aumentado de vir a ser um consumidor de risco no futuro.

Pensando na proteção do trabalhador, a comissão da União Europeia sobre Jornada de Trabalho estabelece para seus países membros o limite máximo de 48h semanais. Apesar disso, é comum a prática de jornadas maiores por opção própria ou pressão externa. Apesar de ser frequente que os profissionais com maiores salários e responsabilidades, como gerentes e executivos, trabalhem mais horas, não foi encontrada correlação entre maior jornada de trabalho e maior risco de consumo de álcool, de acordo com os diferentes perfis socioeconômicos.

Os autores acreditam que fatores individuais e ambientais sejam responsáveis pela relação entre a longa jornada de trabalho e maior chance de consumo de risco de álcool, e destacam que um desses fatores seria o aspecto de beber para aliviar o estresse associado à alta demanda e perda de controle. Sugerem também que trabalhadores que não estão bem integrados ou supervisionados pela empresa apresentariam maior risco de desenvolver problemas relacionados ao uso de álcool. Ainda, sintomas de depressão, alterações de sono e traços de personalidade também contribuem para a exposição individual ao consumo de risco. Para concluir, indicam que intervenções breves e preventivas no ambiente de trabalho podem reduzir o consumo de risco e problemas por uso de álcool, e ressaltam a necessidade de mais estudos para compreender melhor a relação encontrada.

*A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece que uma unidade de bebida ou dose padrão contém aproximadamente de 10 g a 12 g de álcool puro, o equivalente a uma lata de cerveja (330 ml) ou uma dose de destilados (30 ml) ou ainda a uma taça de vinho (100 ml).

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