Perfil do consumo de álcool por idosos brasileiros e fatores associados

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CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool

O envelhecimento da população brasileira tem sido alavancado pelo aumento da expectativa de vida,diminuição da natalidade e avanços dos serviços de saúde, incluindo o acesso e a disponibilidade de tratamentos. Uma consequência desse fenômeno é a transformação do perfil de saúde da população, com aumento da frequência de doenças crônicas e degenerativas. Estima-se que parte considerável dos idosos brasileiros consome bebidas alcoólicas e sabe-se que este comportamento na terceira idade pode aumentar os riscos de complicações da saúde e mortes, especialmente se excessivo e frequente. Segundo a Organização Mundial de Saúde, não existem níveis seguros para o uso de álcool, e o consumo diário, sem intervalo de ao menos dois dias na semana com abstinência, ou que exceda determinada quantidade, aumenta consideravelmente os riscos de consequências nocivas (para saber mais: http://www.cisa.org.br/artigo/5613/tira-duvidas-sobre-consumo-alcool.php).

No Brasil, cerveja e bebidas destiladas (como uísque, vodca, gin, cachaça) são as bebidas mais consumidas. Para estimar a prevalência do consumo dessas bebidas entre idosos e elucidar fatores associados, foi realizado um estudo transversal com 500 adultos brasileiros residentes em Montes Claros (MG), com idade entre 65-74 anos. O padrão de uso de álcool foi avaliado pela frequência de ingestão (diária, semanal, mensal ou anual), sendo o uso diário ou semanal classificado pelos pesquisadores como “uso frequente”, uma vez que são padrões de maior risco à saúde*.

Observou-se que 27% dos idosos entrevistados consumiam cerveja, 21% bebidas destiladas e 35% bebiam com frequência. Em linha com outros estudos presentes na literatura, o uso de álcool mais frequente e intenso* foi maior entre homens que mulheres.

Foram analisados fatores associados aos tipos de bebida e ao uso frequente, como gênero, estado civil, escolaridade, presença de doenças crônicas e acesso aos serviços de saúde. O consumo de cerveja foi associado ao consumo de tabaco entre mulheres; e menor escolaridade e não ser casado entre homens. Já o consumo de destilados foi associado a menor escolaridade e uso de tabaco entre mulheres; e mais idade e uso de tabaco entre homens. O uso frequente de bebidas alcoólicas foi associado ao consumo de tabaco, o que é bastante preocupante visto que ambas substâncias podem causar danos à saúde, e quando usadas em conjunto apresentam riscos cumulativos.

Os autores concluem que a população idosa estudada tem frequência notável de consumo de álcool, o qual está associado com determinantes demográficos e comportamentais, como o uso de tabaco. Como maior consumo foi observado entre os homens, os pesquisadores sugerem que homens idosos também sejam alvo de campanhas e políticas específicas de prevenção e promoção da saúde. Uma vez que esse estudo foi realizado em apenas um município, os autores destacam que os dados não devem ser considerados como representativos da população idosa brasileira.

*Para saber mais sobre padrões de consumo do álcool, acesse: http://cisa.org.br/artigo/4405/padroes-consumo-alcool.php.

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