Personalidade e consequências do uso de álcool entre estudantes universitários veteranos

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CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool

O consumo de álcool entre estudantes universitários associa-se a diversas consequências negativas, como queda do desempenho acadêmico, problemas sociais até doenças e mortes. Diversos traços da personalidade estão sabidamente relacionados ao uso e problemas com álcool, com destaque para quatro: 1 – desesperança (incapacidade para resolver problemas), 2 – busca de sensações (persistência na busca por excitação e prazer), 3 – sensibilidade à ansiedade (medo ou efeitos corporais como aumento dos batimentos cardíacos e do ritmo respiratório) e 4 – impulsividade (tendência de reagir com baixa consideração das consequências).

Há evidências na literatura de que a desesperança, busca de sensações e impulsividade são fatores preditivos de problemas relacionados ao consumo de álcool entre universitários, mas a sensibilidade à ansiedade ainda não possui dados consistentes. Além disso, os efeitos mediadores desses traços de personalidade para o consumo de álcool não foram completamente elucidados.

Esse estudo examinou, por meio de questionários, a presença de três tipos de percepções que agiriam como mediadores do consumo de álcool em estudantes universitários: 1 – normas descritivas (a percepção de que o beber é um comportamento comum em seu meio social, em termos de prevalência, quantidade e frequência), 2 – normas injuntivas (o quanto um indivíduo acredita que seus pares aprovam ou reprovam seu uso de álcool) e 3 – crenças universitárias relacionadas ao álcool (percepção individual sobre a importância do beber na experiência universitária).

Para avaliar a relação entre os traços de personalidade com as percepções descritas acima foram incluídos na pesquisa 875 universitários norte-americanos. Os homens obtiveram maior pontuação na busca de sensações, normas descritivas, crenças universitárias e uso de álcool e as mulheres relataram maior sensibilidade à ansiedade, normas injuntivas e problemas com álcool. Foram encontradas associações diretas positivas conforme a figura abaixo:

Figura 1. Relação entre traços de personalidade, uso de álcool e problemas com uso de álcool: influências diretas e mediadas por percepções sociais

Entre os efeitos diretos encontrados, o traço de sensibilidade à ansiedade esteve negativamente relacionado a normas injuntivas, que por sua vez, esteve negativamente relacionado ao uso de álcool. Alguns achados chamaram atenção e foram replicados em outros estudos:

  • desesperança e impulsividade predizem diretamente os problemas com álcool, mas não o uso de álcool;
  • crenças universitárias tem efeito direto em problemas com álcool e são mediadoras do efeito da busca de sensações e impulsividade para uso e problemas com álcool;
  • normas descritivas e crenças universitárias associaram-se positivamente com o uso de álcool.

Normas descritivas representam um importante fator de risco para aumento do uso de álcool e crenças universitárias estão relacionadas ao maior uso e problemas com álcool. Essas observações podem direcionar melhor as intervenções. Por exemplo, os indivíduos com certos traços de personalidade, especialmente impulsividade e busca de sensações, devem ser ser o foco de intervenções de prevenção, as quais também devem ser aplicadas para aqueles estudantes que persistem com problemas no uso de álcool apesar de terem recebido intervenções genéricas, ou seja, que não considera sua predisposição de forma específica.

O estudo ainda indica que os alunos veteranos apresentaram de forma relevante os quatro traços de personalidade, portanto, as terapias direcionadas de acordo com os tipos de personalidade podem ser mais apropriadas para os veteranos. A principal limitação desse estudo é ter dados coletados em apenas uma universidade, sugerindo que o modelo proposto deve ser testado em amostras maiores e mais diversificadas.

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