Doenças mentais também podem ser hereditárias?

Assim como doenças que atingem o físico (hipertensão, diabetes, etc.) podem ser hereditárias, doenças mentais também partilham das mesmas características e podem involuir ou evoluir com o tempo, o que torna imprescindível a necessidade de um acompanhamento criterioso do paciente.
Alguns estudos sugerem que o histórico familiar é capaz de desempenhar um papel muito importante no que se diz respeito ao desenvolvimento de transtornos como a ansiedade, a depressão, a síndrome do pânico (ou crise de ansiedade) e a dependência química. Entenda o porquê.

Ansiedade
A ansiedade é um distúrbio conhecido por influenciar a maneira com que o indivíduo pensa. Ele tem a capacidade de gerar sintomas físicos como uma visão irreal dos problemas, o medo e a preocupação em excesso, a irritabilidade, a tensão muscular, as dores de cabeça, etc.
Ela pode estar ligada ao desenvolvimento de fobias, transtornos do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, depressão ou ainda a problemas adicionais pelo uso indevido de álcool e fumo.
Por mais que não se tenha uma causa definitiva esclarecida, muitos apontam aspectos ambientais e genética como fatores principais para o seu desenvolvimento.
No caso específico da genética, fala-se sobre o funcionamento anormal de algumas células que conectam regiões cerebrais com áreas emotivas (causando alterações de humor), distúrbio que pode ser reproduzido durante a formação de um novo ser, ou seja, na gestação.

Depressão
A depressão é um transtorno ligado à tristeza extrema e negativismo. O indivíduo se considera fracassado, inadequado, sem valor ou importância e, dificilmente seria possível, a princípio, relacioná-lo à genética, certo?
No entanto, problemas na formação de neurotransmissores e neuroreceptores cerebrais específicos podem desencadear um quadro de depressão.
Não há ainda um consenso entre os cientistas, mas acredita-se que tais problemas na formação dos neurotransmissores e neuroreceptores possam ocorrer antes do nascimento, ainda na gestação.

Síndrome do pânico
Apesar de ser um subtipo do quadro de ansiedade, a síndrome (ou ataque) do pânico também possui evidências da possibilidade de seu desenvolvimento a partir de um quadro genético.
No entanto, diferente dos quadros de ansiedade e depressão, que possuem alterações físicas comprovadas as quais podem desencadear o problema, a síndrome do pânico está mais para um gene que existe, mas, se é ativado ou não é uma condição que vai depender das circunstâncias que levem o organismo a considerar essa opção.
Por isso não é incomum que muitos psiquiatras considerem que ser suscetível à síndrome não é o mesmo que desenvolvê-la, uma vez que ela precisa de estímulos externos aos quais se tenha sensibilidade.

Dependência Química
Em 1999, o Doutor em Psiquiatria Guilherme Peres conduziu um estudo sobre a suscetibilidade genética da dependência química, no qual avaliou estudos em famílias, gêmeos e pesquisas sobre casos de adoção.
Por fim, concluiu que existe predisposição genética, mas, o desenvolvimento do problema depende das variáveis abuso, dependência prévia de certas drogas e coligação com problemas de origem cultural e psicossocial.

Portanto, considerando 4 doenças/transtornos mentais, é possível concluir que a genética é um fator que pode colaborar ou desencadear o aparecimento destes problemas.
Para todos eles, existe tratamento. Procure um psiquiatra.

A COMPLEXIDADE DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA

O número de dependentes químicos não para de crescer. Enquanto isso inúmeros estudos vem sendo desenvolvidos.

Estudos demonstram que pessoas que têm dependentes químicos na família (pais, avós, tios, tios avós, etc.) têm 04 (quatro) vezes mais chances de desenvolver a dependência química que a população em geral. Estes dados se mantêm mesmo que o indivíduo não possua contato algum com o familiar dependente.

O maior problema na tentativa de diferenciar entre a importância dos genes e o fator ambiental é que ambos são, frequentemente, fornecidos em grande parte, pelos pais. A genética fornece a base biológica que explica a propensão ao problema. Os genes mediam o quanto de prazer uma pessoa sentirá usando álcool ou outra droga.

Houve uma evolução em relação à maneira de tratar a Dependência Química. No final do século passado, a DQ era considerada um problema moral e de caráter. Já no início deste século, adotou-se o conceito de doença e a DQ passou a ser um problema médico. Quanto ao tratamento houve também um grande desenvolvimento e é um desperdício de vidas humanas este conceito ainda não ter sido desmistificado pela grande maioria da sociedade.

Atualmente só uma minoria dos DQs deve ser internada. Na maior parte das vezes é possível um tratamento interdisciplinar de ambulatorial ou intensivo sem internação em Hospital Dia.

Existem diversos graus de DQ e diferentes tipos de Dependentes Químicos. Portanto, parece óbvio que é necessário um adequado diagnóstico a fim de direcionar um tratamento específico para cada indivíduo que sofre desse mal.

A DQ é uma doença complexa, multifatorial e qualquer tentativa de simplificá-la redundaria num senso comum.

Dorit Wallach Verea

13 coisas que todo mundo deveria saber sobre as clínicas de reabilitação

Volta e meia surgem notícias sobre famosos internados em clínicas de reabilitação para tratar a dependência de álcool, drogas e medicamentos. Mais do que um refúgio para uma fase conturbada, esses espaços servem para quem deseja combater um vício e aprender a controlá-lo. Saiba mais a respeito:

1. Os casos mais indicados para internação são os de pessoas deprimidas com risco de suicídio, com esquizofrenia e outras psicoses em estado descompensado, transtornos alimentares graves e dependência de álcool, drogas, analgésicos ou medicamentos controlados com padrão compulsivo descontrolado.

2. A internação é necessária quando a pessoa perde o juízo crítico da realidade, tem tendências suicidas e/ou pode agredir os outros ou a si mesma.

3. A tendência mundial baseada em estudos científicos é evitar a internação em clínica fechada e buscar alternativas de tratamento num programa de inclusão social, inclusive hospital dia.

4. São raros os casos de internação para portadores de dependência de internet ou para compradores compulsivos. Existem estratégias terapêuticas mais efetivas nestes casos.

5. Nenhuma proposta de reabilitação faz uma pessoa parar de usar drogas ou consumir álcool, por exemplo, mas ensina a pessoa a viver sem.

6. A reabilitação é baseada na abstinência total. A pessoa precisa ser treinada a desenvolver recursos para se afastar de pessoas, locais e situações de risco de recaída, antes de voltar para a sociedade.

7. Cada paciente é único. Não há um padrão a ser seguido, assim como não é possível determinar previamente a duração da reabilitação. Em geral, os tratamentos envolvem medicamentos, alimentação controlada, dinâmicas de grupo, sessões individuais com psiquiatra, atividades recreativas e de lazer (como artesanato), palestras, filmes, terapia familiar, depoimentos de ex-pacientes, produção de um diário ou de um inventário da doença. E, principalmente, orientação sobre técnicas de prevenção de recaída por meio do ganho de crítica, mudança no estilo de vida (crenças e valores) e incentivo a aprender a pedir ajuda e ajudar os outros.

8. Toda clínica tem suas especificações próprias. Receber visitas faz parte da estratégia de socialização e manejo dos estímulos externos, mas a forma e a frequência como são realizadas dependem da evolução de cada caso.

9. Apenas a realização do programa recomendado não acaba com a dependência química. O sucesso depende da necessidade e, sobretudo, da vontade de mudar o estilo de vida. Muitas vezes a pessoa quer se ajudar, mas, por conta das alterações químicas no cérebro, ela não consegue sozinha. A expectativa da família é de que a pessoa esteja curada ao receber alta, mas, na realidade, as clínicas fechadas tratam da crise e não da doença em si.

10. As pessoas costumam confundir internação como sinônimo de gravidade, muitas vezes adiando a tomada de decisão e piorando o quadro clínico, como forma de controlar as aparências. Clínica de reabilitação não tem nada a ver com o conceito antigo de “hospício”, no sentido de confinamento e não tratamento. E muito menos trata-se de uma espécie de hotel fazenda ou spa. Há quem veja a internação como fuga das pressões da realidade, e não um lugar de trabalho para se enfrentar as mesmas.

11. Em geral, as clínicas ficam em locais de acesso restrito para proteger a privacidade de quem as frequenta e propiciar o controle na quantidade e intensidade dos estímulos que o paciente pode suportar antes de receber alta.

12. Se o paciente for resistente à internação, a família pode autorizar o psiquiatra a fazer o tratamento contra a vontade dele. Porém, é preciso romper com essa negação para que o tratamento seja bem-sucedido. É bom ressaltar que a escolha da instituição não deve ser feita nos mesmos moldes como se escolhe um hotel.

13. Para a medicina, a dependência química é uma doença crônica. Na internação o paciente está em ambiente protegido. Ao ter alta ele está desintoxicado, mas ainda não tem preparo para lidar com situações, pessoas e emoções de risco. O tratamento pós-internação em hospital dia é imprescindível, pois ajuda a pessoa a desenvolver estratégias de enfrentamento para situações de risco, melhorar a autoestima, prevenir recaídas e reorganizar a nova rotina.

FONTES:
Cirilo Tissot, psiquiatra e diretor técnico da Clínica Greenwood, em Itapecerica da Serra (SP); Dorit W. Verea, sócia-diretora da Clínica Prisma, em São Paulo (SP); Eli Stern, psiquiatra do CAPS III (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) Jardim Ângela, gerenciado pelo Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim), em São Paulo (SP), e Leonard Verea, psiquiatra especializado em Hipnose Dinâmica e Medicina Psicossomática, de São Paulo (SP)

Original em: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2017/11/06/13-coisas-que-todo-mundo-deveria-saber-sobre-as-clinicas-de-reabilitacao.htm

Neurociências: consumo e dependência de substâncias psicoativas

Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA)

Segundo o Global Status Report on Alcohol, o nível de consumo de álcool declinou nos últimos 20 anos em países desenvolvidos, mas está aumentando em países em desenvolvimento

Organização Mundial de Saúde (OMS) *

O consumo de bebidas alcoólicas, à semelhança do consumo de tabaco, apresenta uma série de particularidades em relação às demais drogas psicotrópicas: Primeiramente, trata-se de uma droga legal. Em seguida, a distribuição está largamente disponível na maior parte do mundo e a sua comercialização é feita de maneira agressiva por companhias multinacionais cujas campanhas de publicidade e promoção tem por objetivo os jovens.

Segundo o Global Status Report on Alcohol, o nível de consumo de álcool declinou nos últimos 20 anos em países desenvolvidos, mas está aumentando em países em desenvolvimento, especialmente na Região do Pacífico Ocidental onde o consumo anual per capita entre adultos varia entre 5 e 9 litros de álcool puro, e também em países da antiga União Soviética.

As taxas de consumo de álcool em países asiáticos são, até certo ponto, responsáveis pelo aumento da taxa em países em desenvolvimento. O nível de consumo de álcool nas Regiões da África, do Mediterrâneo Oriental e da Ásia do Sudeste é muito inferior.

Na região africana, houve um aumento acentuado no consumo per capita nos anos 70 e um declínio começando no início dos anos 80. No entanto, o padrão de consumo entre os homens sofre tendência de permanecer entre os níveis mais elevados em países como Gabão, Gana, Quênia, Lesoto e Senegal e África do Sul.

Na região das Américas, o uso abusivo é um padrão comum de consumo de bebidas alcoólicas. Tanto o consumo de álcool quanto o seu uso abusivo são mais comuns entre os indivíduos do sexo masculino no México e nos EUA. Apesar de o México apresentar taxas gerais de consumo de álcool relativamente baixas, há nesse país uma elevada frequência de uso abusivo especialmente entre jovens e nas ocasiões de fiestas.

O uso abusivo de álcool entre jovens também é comum na região do Pacífico Ocidental. Apesar do declínio no uso de álcool na Austrália e Nova Zelândia, 50% dos jovens do sexo masculino desses países assim como da Coréia do Sul e Japão bebem frequentemente até o ponto da embriaguez.

Maconha Medicinal: Vamos Receitar Jararacas

Jornal Zero Hora

Polêmica criada sobre o “uso medicinal de maconha” tem ao menos um lado curioso

Sérgio de Paula Ramos*

A polêmica criada pelo deputado médico Osmar Terra e o cineasta Raphael Erichsen sobre o “uso medicinal de maconha” tem ao menos um lado curioso. O médico afirmando que maconha fumada não tem uso medicinal seguro e indicado pela ciência e o cineasta afirmando que tem, sim. O médico, baseando-se em artigos publicados em revistas científicas da maior relevância, tais como Lancet, Jama e Addictions, o cineasta baseado em algumas entrevistas e reportagens. Ambos protagonistas regionais de um debate colocado internacionalmente.

Maconha faz mal para a saúde, principalmente de adolescentes. Rouba inteligência dos usuários, aumenta a chance deles de terem esquizofrenia, depressão e de tentarem suicídio, bem como diminui suas chances de, aos 25 anos, terem diplomas universitários e estarem numa relação amorosa estável.

Por que, então, esse ativismo todo para legalizar a maconha? Simples, hoje ela movimenta um negócio de US$ 140 bilhões/ano e, se legalizada, dobrando o mercado consumidor (como aconteceu, por exemplo, em Portugal), será capaz de igualmente dobrar a receita da indústria do tabaco. Muito dinheiro, talvez o único macronegócio capaz de atrair o capital feroz; e é esse capital que está orquestrando as manifestações pró-legalização, envolvendo, inclusive, alguns intelectuais bem-intencionados.

No início do século 20, a propaganda do cigarro dizia que ele fazia bem para a garganta, para a bronquite e que as mulheres tinham o direito de fumar. A mesma propaganda informava que esse era indicado inclusive por alguns médicos. Hoje dizem coisas bem parecidas sobre a maconha, mas 70% da opinião pública mantém-se contrária à legalização. Essa, até aqui, pelo menos, não se tem deixado confundir.

Um derradeiro pensamento: uma das mais de 400 substâncias encontradas na maconha, o canabidiol, parece ter alguma utilidade terapêutica se isolado e administrado na forma de comprimidos. A bradicinina, encontrada no veneno de jararaca, da mesma forma, é usada como remédio para baixar a pressão arterial. Vamos receitar que hipertensos durmam com jararacas?

*Psiquiatra que faz parte do grupo de especialistas em dependência química da ABEAD

Pesquisa Iamspe indica que fumantes têm menos audição

Itu.com.br

Ambulatório realizou exames de audiometria em 16 indivíduos

Um estudo preliminar realizado pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) indica que adultos fumantes apresentam resultados de audibilidade piores que os não fumantes.

O ambulatório de Fonoaudiologia do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) realizou exames de audiometria em 16 indivíduos, sendo oito fumantes e oito não fumantes, com idades entre 18 e 40 anos, para analisar o impacto do tabagismo na audição.

Além da audiometria convencional que avalia as frequências de 250Hz a 8kHz, foi realizada audiometria de altas frequências, onde foram testadas as frequências de 9kHz a 18kHz.

Na análise dos resultados, verificou-se que indivíduos fumantes, quando comparados a indivíduos não fumantes, tendem a apresentar resultados de audibilidade piores nos exames de audiometria convencional assim como no exame que pesquisou os limiares em altas frequências, podendo-se inferir que o cigarro apresenta um impacto negativo na audição.

Para a fonoaudióloga Claudia Colalto, a pesquisa dos limiares auditivos na faixa das altas frequências possibilita o diagnóstico precoce da perda auditiva, já que essas frequências costumam ser prejudicadas antes das pesquisadas na audiometria convencional (de 250Hz a 8kHz).

“A perda auditiva interfere, principalmente, na compreensão de fala e deteriora de maneira expressiva a qualidade de vida do indivíduo. Desta forma, o diagnóstico precoce é mandatório para evitar sua progressão e minimizar suas consequências”, explica.

O ambulatório pretende ampliar o estudo, com um número maior de usuários, com a finalidade de embasar ainda mais as ações contra o tabagismo realizadas na instituição.

Iamspe

O Iamspe, autarquia vinculada à Secretaria de Estado da Gestão Pública, tem hoje uma das maiores redes de atendimento em saúde para funcionários públicos do país.

Além do Hospital do Servidor Público Estadual, na capital paulista, possui 17 postos de atendimento próprios no interior, os Centros de Assistência Médico-Ambulatorial (Ceamas), e disponibiliza assistência em mais de 100 hospitais e 140 laboratórios de análises clínicas e de imagem credenciados pela instituição, beneficiando 1,3 milhão de pessoas em todo o Estado.

Como ajudar o parceiro dependente químico

O tratamento da dependência química é permeado por muitos paradoxos: droga é ruim, mas é boa; o dependente quer ter controle sobre o uso e não parar; a família ajuda e atrapalha, e por aí afora.

Para o parceiro ou familiar, a confusão não é menor no que tange aos paradoxos. A começar pelos seus próprios sentimentos pelo dependente, que vão do terno amor ao ódio irracional em minutos.

Assombrado por miríades de sensações contraditórias e perturbadoras, o familiar toma inúmeras atitudes a fim de conter o vendaval que é o uso da droga. Estressado, ele passa a cuidar sozinho da casa, filhos e orçamento financeiro;ao mesmo tempo,tenta reiteradas vezes fazer o dependente químico parar de usar: seduz, agride, argumenta, chora, cuida e esconde a situação do resto da família.

Assumir todos esses compromissos pode não ser insalubre para outro tipo de doença, porém, asestratégias em relação à dependência química são bem diversas das que se utiliza com sucesso em outros quadros clínicos, quando poupar o paciente e deixá-lo descansando lhe ajuda na restituição física.

A família é importantíssima em todo o processo, afinal,todo familiar tem seu poder.

A questão bizarra da codependência – nome utilizado por algumas correntes da psicologia para denominar o familiar/amigo/parceiro envolvido com o dependente – é o fato de que o companheiro ou companheira acaba também por se tornar dependente desse modo de vida, já que se adaptou e passou a obter alguns ganhos com essa situação. Estes lucros são de ordem pra lá de neurótica, e a psicanálise os chamou de ganhos secundários da doença. O que seria esse lucro? A sensação de ser hipernecessário para o dependente, ter o controle da casa, ser o entendedor máximo do assunto e, principalmente, não ter tempo, energia ou necessidade aparente de identificar suas questões pessoais.

A melhor maneira de ajudar o parceiro dependente químico requer coragem e o resultado, por sua vez, pode ser bem mais doce do que o sal que vem sendo sua vida.

Algumas dicas para o codependente: – Apropriar-se de suas escolhas, pois a tendência é justificar suas atitudes inadequadas em virtude da doença do dependente. – Avaliar-se, em vez de ditar regras muitas vezes inexequíveis e fantasiosas para o parceiro. Não temos o domínio da vida do outro. – Buscar tratamento para si, pois as sequelas da dependência atingem diretamente a saúde mental do parceiro. Muitas vezes, o tratamento começa dessa forma. – Ir a uma reunião de Alcoólicos Anônimos (AA) ou de Al-Anon (para familiares) para ver como pessoas mais instruídas sobre a doença estão agindo e vivendo suas próprias vidas.

Ajudar profissionalmente o codependente constitui sempre um desafio porque seu paradoxo básico é: “Eu estou mal, mas preciso muito de ajuda para mudar o outro, sendo que quero continuar fazendo do meu jeito mesmo que meu jeito não esteja dando certo”.

A fraqueza é a força. O parceiro que tem a coragem de mergulhar em si mesmo tem grandes chances de amar ao próximo como ele é – podendo escolher ficar ou não ao seu lado. Ao se afastar com coerência, poderá causar grande bem ao dependente químico que, quem sabe, se utilizará desse abandono para repensar a vida. Se, por outro lado, ficar na posição de mártir sofredor, a chance de cada um se afundar em sua própria dependência é enorme. O codependente, muito certo de suas próprias ideias, constitui um perigo para si mesmo e para o próximo.

Dorit Wallach Verea é psicóloga, coordenadora da Clínica Prisma, mestre em Psicologia Clínica pela PUC/SP e especialista em Dependência Química pelo Instituto Sedes Sapientiae. É também especialista em Psicologia Psicossomática pela Universidade Paulista/SP.

Parar de fumar deixa mais feliz, diz estudo

G1

Deixar cigarro tem mesmo efeito de antidepressivos, dizem pesquisadores. Estudo derruba mito de que fumar é antiestressante, afirma coordenadora.

Deixar o cigarro contribui para o bem-estar mental, tendo o mesmo efeito que o uso de antidepressivos, aponta um estudo publicado no periódico médico British Medical Journal (BMJ), na edição disponível a partir desta sexta-feira (14).

De acordo com os pesquisadores britânicos, que revisaram 26 estudos sobre o tema, o efeito de parar de fumar pode ser “equivalente, ou superior, ao de antidepressivos utilizados no tratamento da ansiedade, ou de transtornos de humor”.

Os fumantes incluídos nos trabalhos eram “medianamente dependentes”, com idade média de 44 anos, e fumavam de 10 a 40 cigarros por dia. Do total, 48% eram homens.Eles foram entrevistados antes de sua tentativa de parar de fumar e, novamente, depois de conseguirem largar o hábito, em uma janela que variou de seis semanas a seis meses.

Os que conseguiram deixar o cigarro estavam menos deprimidos, menos ansiosos, menos estressados e com uma visão positiva da vida do que os que não conseguiram abandonar o vício. A melhora foi perceptível nas pessoas afetadas por transtornos mentais logo que pararam de fumar.Nenhuma avaliação de acompanhamento do estado mental voltou a ser feita, porém, em especial nos casos dos ex-fumantes que tiveram recaídas.A coordenadora do estudo, Genma Taylor, da Universidade de Birmingham, disse esperar que os resultados permitam dissipar falsas ideias, como a que atribui ao cigarro qualidades antiestressantes, ou relaxantes.”Comparando não fumantes e fumantes, encontramos uma associação entre uma pior saúde mental nos fumantes”, acrescentou.Segundo números divulgados em julho passado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o cigarro seria responsável pela morte de pelo menos 6 milhões a cada ano, número que pode atingir 8 milhões até 2030.

O uso de drogas antes ou durante a gravidez: quais as consequências?

Fator Brasil

Especialista fala sobre os perigos das drogas na gestação e alerta as mulheres que ainda sonham em ser mães.

A gestação é um período extremamente delicado na vida da mulher, afinal, dependendo de cada caso, alguns fatores podem interferir negativamente na saúde do bebê em formação. A situação, no entanto, se torna alarmante quando, ainda na gravidez, as mulheres fazem uso de drogas, sejam elas, lícitas ou ilícitas. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), um terço da população diagnosticada como dependente química, são mulheres em idade reprodutiva. Isso mostra o quanto o problema é preocupante, até mesmo, para as mulheres que desejam, um dia, serem mães.

Seja qual for o tipo de drogas, elas devem ser evitadas durante o período gestacional, afinal, os efeitos causados ao bebê podem ser irreversíveis. Segundo a ginecologista especialista em Reprodução Humana da Criogênesis, Dra. Mariana Garcia Martins, no caso do álcool, podem ocorrer alterações fetais, especialmente na face e no desenvolvimento neurológico da criança. Quanto ao cigarro, um dos problemas mais sérios refere-se à diminuição do volume dos vasos sanguíneos, causado pela nicotina, o que afeta diretamente o cordão umbilical, por onde passa toda a alimentação do bebê. Além disso, a mulher grávida fumante tem 70% mais chances de ter um aborto espontâneo, de dar à luz antes da hora, do bebê nascer com baixo peso e altura, com riscos de má formação e complicações cardíacas, ou até mesmo de ocorrerem mortes fetais e de recém-nascidos , alerta.

Além das drogas lícitas, cabe destacar que o uso de substâncias ilícitas, como a maconha e a cocaína, também provocam dificuldades de desenvolvimento fetal. A maconha pode causar efeitos congênitos, baixo peso no nascimento, sintomas parecidos com a abstinência no nascimento e maior risco de transtornos de atenção e de problemas de aprendizagem no futuro. A cocaína causa no bebê os mesmos efeitos tóxicos provocados na mãe, além da possibilidade de problemas cardíacos e falta de oxigenação , esclarece a médica.

Quanto aos medicamentos, a médica alerta que eles só devem ser utilizados pela gestante com prescrição médica, além de ser totalmente contraindicado o uso de inibidores de apetite, tranquilizantes e ansiolíticos.

Drogas antes da gravidez Para quem ainda sonha com a maternidade, as drogas também são grandes vilãs. O consumo excessivo de álcool, por exemplo, pode causar falha da menstruação e da ovulação, diminuição da libido e da infertilidade. O cigarro, além de diminuir a fertilidade, reduz a capacidade ovulatória da mulher e interfere nas chances de sucesso de uma reprodução assistida , alerta a ginecologista.

Para aquelas que ainda desejam realizar este sonho, é recomendável começar um tratamento antes da gravidez. É fundamental iniciar uma terapia orientada por um médico, além de mudar o estilo de vida, adotar hábitos alimentares saudáveis e praticar exercícios físicos. E, acima de tudo, abandonar o vício deve ser uma medida permanente. Não adianta voltar a usar drogas logo depois que o bebê nasce, pois a exposição da criança aos malefícios dessas substâncias, principalmente durante o período de amamentação e nos seus primeiros meses de vida, podem causar danos irreparáveis para a sua saúde no futuro , ressalta a especialista.

A Criogênesis nasceu em São Paulo e possui mais de 10 anos de experiência no mercado brasileiro. A clínica é referência em serviços de coleta e criopreservação de células-tronco e em medicina reprodutiva. Sua missão é estimular o desenvolvimento da biotecnologia através de pesquisas, assegurando uma reserva celular para tratamento genético futuro. [www.criogenesis.com.br].

Droga é a maior causa de abandono de crianças

O Globo

País tem 46 mil em abrigos; vício dos pais é responsável por 80% dos encaminhamentos

Pelo menos 46 mil crianças e adolescentes vivem hoje em abrigos no Brasil. Nos últimos dois anos, a cada dia 38 meninas e meninos de até 15 anos de idade foram vítimas de abandono ou negligência, segundo dados do Mapa da Violência 2014 — Crianças e Adolescentes, antecipados ao GLOBO, que reúne notificações da rede de saúde. Ao mesmo tempo em que pratica regras mais rígidas e evita separar pais e filhos, o país perde a guerra contra os efeitos devastadores do crack nas famílias. Segundo pesquisa do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), mais de 80% dos encaminhamentos de crianças e adolescentes a abrigos estão vinculados à dependência química dos pais. E a droga por trás dos números, segundo os especialistas, é o crack.

— Estamos perdendo muitas batalhas para o crack. Essa é mais uma — diz o desembargador Antonio Carlos Malheiros, coordenador de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Dos 27.625 casos de abandono e negligência nesses últimos dois anos, incluídos no Mapa da Violência, 61% são de crianças com até 4 anos — fase em que desenvolvem a capacidade cognitiva, que é conhecer, entender e se relacionar com o mundo. Além do abandono, as crianças são vítimas de outros tipos de violência. No caso dos meninos, trabalho infantil (58%) e violência física (53,8%) lideram a lista. As meninas sofrem violência sexual (81,2%) e são vítimas de tráfico humano (76,9%) e tortura (55,8%).

— Os números estão subestimados. Temos muitos problemas de subnotificação pelos estados — diz o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, responsável pela elaboração do Mapa com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação.

O destino de órfãos do crack preocupa. Apenas 20% dos municípios brasileiros têm abrigos cadastrados pelas autoridades, de acordo com o Censo 2012 do Sistema Único de Assistência Social. Ou seja, ou não há abrigos ou são clandestinos. Não são raros casos em que as crianças são deixadas com vizinhos ou conhecidos. Antonio Carlos Ozório Nunes, da Comissão da Infância e Juventude do CNMP, diz que parentes de usuários de crack relutam em ficar com seus filhos, pois temem o comportamento imprevisível dos pais:

— As famílias têm mais medo dos dependentes químicos de crack, tidos como mais agressivos. E quando a mãe é presa, como fazer? Às vezes, ninguém quer ficar com a criança.

Integrante do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e assessor nacional da ONG Aldeias Infantis SOS, que mantém abrigos em 13 estados do país, Fábio José Garcia Paes afirma que na Região Sul do país os casos de abandono e negligência triplicaram nos últimos anos. Hoje, segundo ele, 45% das cerca de 800 crianças atendidas foram abrigadas porque os responsáveis por elas entraram no mundo das drogas.

— O crack se destaca como elemento avassalador — diz Paes.

Há outra questão ainda mais delicada: o uso de crack pela mãe engrossa a lista dos preconceitos que permeiam a adoção. Há receio de que os bebês abandonados venham a sofrer transtornos mentais no futuro, associados à droga consumida durante a gestação. Na capital paulista, o Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, da rede estadual, costuma receber gestantes usuárias de drogas. Em 2012, foram 71 casos. Em 2013, 90. Este ano, até o início da segunda quinzena deste mês, já foram 16 atendimentos.

— O crack hoje bate em todas as portas. A capilarização da droga é monstruosa e ela tem preponderância sobre o álcool e a cocaína. Mas é preciso lembrar que o álcool pode trazer mais dano ao feto do que a cocaína — diz Samuel Karasin, que atua no plantão judiciário do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), perto da região conhecida como cracolândia em São Paulo.

O problema é que o crack costuma deixar seus dependentes menos funcionais. Não é incomum, segundo Karasin, casos de mulheres que tiveram bebês e abandonaram o hospital sem eles. Ou de gestantes que fogem do atendimento durante a gravidez, colocando a vida do bebê em risco. A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo aumentou em 140% os leitos para tratamento de dependentes químicos nos últimos dois anos: de 482 em 2011 para 1.160 em 2013.

Diretor técnico do Unad — Unidade de Atendimento ao Dependente Heliópolis, em São Paulo, o psiquiatra Cláudio Jerônimo diz que o preconceito contra os órfãos de crack potencializa o risco de eles virem a desenvolver quadros psicóticos, depressão, bipolaridade e até vir a se envolver com drogas no futuro:

— A proteção, o suporte psicológico e o apoio familiar anulam fatores de risco.

Ariel de Castro Alves, que integra o Conselho Estadual de Direitos das Crianças e Adolescentes em São Paulo, afirma que as drogas acentuam os conflitos familiares e aumentam a vulnerabilidade social:

— Estamos criando uma geração de filhos do crack. O abandono, no futuro, resulta em violência e aumento no número de infrações.