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ARTIGO DA SEÇÃO "Especial"
JORNAL CARREIRA & SUCESSO - 28 de julho de 2006 - 302ª. EDIÇÃO
PROFISSIONAIS À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS!


* Karlo Gabriel


Discussões no trabalho que acabam em briga. Demissões que geram revoltas e atos agressivos por parte do profissional demitido. Profissionais que vão armados para o local de trabalho dispostos a tudo.

Estas descrições parecem um roteiro para filme de ação mas, na verdade, fazem parte de um cenário cada vez mais comum em nosso dia-a-dia.

O exemplo mais recente de desequilíbrio emocional ocorreu na última terça-feira (25/07/06), quando o ator Ricardo Dualib invadiu o Projac armado - local onde são gravados alguns dos programas da Rede Globo de Televisão -, rendeu o segurança e disparou três vezes para o alto.

Segundo testemunhas, ele gritava o nome do diretor Wolf Maia, para quem trabalhou recentemente como figurante na novela "Cobras & Lagartos". Ricardo foi desligado da emissora em abril deste ano.

Para a psicóloga Dorit Wallach Verea, coordenadora da Clinica Prisma e especialista em Dependência Química, este fato está se tornando cada vez mais comum. "Os ambientes de trabalho são muito hostis. Não há espaço para pensar e experimentar, sem correr o risco de ser criticado ou demitido. A opressão dos superiores, o acúmulo de tarefas e a falta de autonomia para executá-las também infernizam o profissional. A todo o minuto nossa inteligência emocional será colocada à prova", afirma a Dorit.

Já que vivemos numa época em que o desgaste emocional é muito grande, somando a isso o nosso histórico de vida e nossa personalidade, pode surgir como agravante nessa situação...

Até onde um profissional pode chegar quando estiver desequilibrado emocionalmente?

Para Dorit, este desequilíbrio pode levar às últimas conseqüências. "O desespero leva a pessoa ao extremo do estresse, desestabilizando-o, diminuindo sua capacidade de reflexão e de encontrar soluções plausíveis para os problemas, desencadeando emoções como raiva, mágoa, ressentimento e falta de perspectiva e esperança. Este profissional está sujeito a ter comportamentos inadequados e perigosos e, dependendo da sua estrutura de personalidade e predisposição mental, é capaz de matar", diz a especialista.

Segundo a coordenadora de Recrutamento e Seleção da Catho Online, Daniela Fernandes, a possibilidade de encontrar no candidato algum problema emocional é remota. "Todas as empresas fazem testes específicos para encontrar o perfil necessário para a vaga. Aspectos mais completos acerca da personalidade do profissional não são tão analisados. Conseguimos apenas detectar um problema emocional quando é algo gritante, como um candidato muito agitado, nervoso ou agressivo. Este pode acabar passando um pouco mais de informação sobre sua personalidade mas, em geral, é difícil saber que futuramente ele terá um comportamento alterado", afirma Daniela.

Ainda segundo ela, as empresas podem conseguir informações valiosas sobre a personalidade e o comportamento do candidato graças a referências anteriores. Mas já contratado, a responsabilidade de detectar problemas deve ser repartida entre empresa e funcionário. "Muitas vezes, antes mesmo de uma manifestação feroz como este que ocorreu recentemente na Globo, podemos identificar problemas de estresse emocional. Portanto, combater este estresse golpeia desequilíbrios mais perversos como crises de caráter depressivo. No entanto, controlar as influências do estresse emocional no dia-a-dia é uma arte! O papel da empresa está em identificar casos de risco, saber abordar o colaborador e encaminhá-lo para profissionais especializados que farão o diagnóstico adequado", afirma Dorit.

No cenário profissional onde o profissional não consegue fugir dos prazos, das cobranças excessivas, da concorrência interna e externa, da falta de reconhecimento e de ambientes hostis, as possibilidades para que esse panorama mude são poucas.

Para Dorit, o profissional que quiser se livrar destes problemas deve se adaptar às condições impostas pelo mercado. "Exterminar por completo situações de pressão por resultados, resistência a novas idéias e estratégias da corporação, competição desleal, corte de funcionários, projetos mal-sucedidos e conflitos no trabalho em equipe se torna uma tarefa impossível. Saber contornar estes obstáculos e dançar 'conforme a música', intuitivamente, trará melhores perspectivas, transformando adversidades em oportunidades. A forma como vemos as coisas ditará o nosso sucesso ou insucesso", aconselha a psicóloga.

Como alternativa e também ação de prevenção, as empresas podem adotar programas de qualidade de vida e atividades que visem o relaxamento dos funcionários. "Somos todos responsáveis pela nossa coletividade, sendo assim, uma das atitudes mais conscientes que a empresa pode ter é implantar programas de qualidade de vida, auxiliando no recrudescimento do ego e no aumento da auto-estima do colaborador. Sentir que a organização aonde trabalha sabe identificar as dificuldades pelas quais ele passa fará o profissional refletir e concluir que a corporação oferece um 'porto seguro'. Porém, não existem programas com resultados absolutos e nem prevenção que imuniza como a vacina", completa Dorit.

Portanto, cabe aos profissionais se auto-analisarem para evitar que o pior aconteça, que também saibam ser mais flexíveis e pensem sempre em sua qualidade de vida antes de tomar qualquer atitude. E para as empresas, vale lembrar que elas trabalham com pessoas e não máquinas, e que qualquer ato sensível ao bem-estar delas será sempre bem-vindo!



* Karlo Gabriel é jornalista da Catho Online. Tel.: (11) 3177-0700 ramal 473.
 
 
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