Lidar com a dependência química não é uma tarefa fácil nem para profissionais de saúde, nem para o dependente em si e muito menos para a empresa e a família que o rodeia. O processo de mudança é difícil, requer força de vontade e o envolvimento de todas as pessoas que se relacionam intimamente com o dependente. O método de internação tem se tornado cada vez mais controverso porque muitas vezes é desnecessário e outras se mostra ineficiente. “Na maioria das vezes, o paciente não se responsabiliza minimamente pelo tratamento. As drogas, seus problemas e seus familiares estão fora da clínica. Fica fácil dizer que está bem quando internado, mas é um referencial enviesado”, explica a psicóloga Dorit Verea, responsável pela Clínica Prisma, especializada no tratamento de dependentes químicos.
Um dos sistemas que tem gerado melhor resultado na recuperação de drogadictos é o sistema de Hospital Dia, que a Clínica Prisma inaugura em suas novas instalações no dia 9 de novembro. Nele, os pacientes passam grande parte do dia na clínica – mas não o tempo inteiro. Convivem com outras pessoas que compartilham do mesmo problema, recebem atenção e orientação e no fim do dia voltam a sua vida normal. “Desde o início do tratamento, tanto o dependente químico quanto o familiar precisam se tratar e rever seu padrão de relacionamento que está muito desgastado. Ambos devem se responsabilizar em alguma medida pelo sucesso do tratamento”, afirma a psicóloga. Além disso, esse sistema é mais barato do que a internação integral.
No início,o paciente precisa ir todos os dias para o Hospital, onde fica das 9 da manhã às 5 da tarde. Com a melhora progressiva, a freqüência no tratamento vai diminuindo. A melhora é significativa e esses pacientes têm menos recaídas futuras,já que são desenvolvidas estratégias para ensiná-lo a lidar com seus problemas desde o começo do tratamento. Às vezes, a medicação pode se fazer necessária, já que a desintoxicação do organismo é um processo lento. A convivência em grupos,a conscientização da problemática sem preconceitos e o apoio da família são ingredientes importantes para uma boa recuperação. O trabalho desenvolvido com esta abordagem sistêmica é o que faz a diferença no resultado do tratamento.
Muitas das empresas que possuem programas sociais de recuperação de funcionários dependentes químicos também têm aproveitado beneficamente do sistema de Hospital Dia. Isso porque a inclusão social do paciente possibilita a manutenção dos vínculos sociais, facilita o retorno ao trabalho, assim como facilita a troca de informações entre ele, a empresa e a própria clínica. “O contato com as empresas limita-se aos profissionais de saúde, que têm por objetivo colaborar com a recuperação do adicto, seguindo padrões éticos de sigilo. Questões pessoais do paciente não são abertas, mas o ele sabe do contato com a empresa. Este intercâmbio é importante porque muitas vezes o paciente manipula, diz que está ótimo e não é verdade”, conta dra. Dorit. “A preocupação em não perder o emprego e a consciência de limites claros são um grande motivador para parar de usar drogas. Depois de um tempo, ele não quer usar mais por si só e agradece o empurrão”, completa.
Redação
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